Modalidade Olímpica

SALTO

show jumping  ·  olímpico desde 1900

1900 Estreia Olímpica
2,47m Recorde mundial
FEI Órgão regulador
Alta Dificuldade técnica

Velocidade, precisão e coragem

O Salto Equestre — conhecido internacionalmente como show jumping — é uma das modalidades equestres mais populares e emocionantes do mundo. O objetivo é simples: percorrer um percurso com obstáculos no menor tempo possível, sem derrubar nenhuma barra e sem recusar nenhum salto. A combinação de velocidade, técnica e cumplicidade entre cavaleiro e cavalo torna cada prova um espetáculo único.

Uma das grandes características do Salto é que, diferentemente de outras modalidades que são julgadas subjetivamente, o sistema de penalidades é completamente objetivo: cada obstáculo derrubado vale 4 pontos de falta, e cada segundo acima do tempo limite gera 0,4 pontos adicionais. Quem tiver menos faltas — e, em caso de empate, o menor tempo — vence.

No Brasil, o Salto é a modalidade do hipismo com maior número de competidores e eventos, com circuitos ativos em praticamente todos os estados. O país já conquistou títulos pan-americanos e tem presença constante nos Jogos Olímpicos.

"Há momentos em que você e seu cavalo pensam como um só ser. Esse é o segredo do Salto."
— Rodrigo Pessoa, campeão mundial de Salto

Modalidade Olímpica

Presente nos Jogos desde Paris 1900

3 provas olímpicas Individual, Equipes e Grande Prêmio (GP)
Maior legado olímpico do Brasil Rodrigo Pessoa — ouro mundial, pódios olímpicos
Mesmo campo para todos Homens e mulheres competem juntos sem categorias separadas

Do Campo de Batalha à Arena Olímpica

Séc. XIX

Origem nas caçadas inglesas

O Salto nasce nas práticas de fox hunting — a caça à raposa na Inglaterra vitoriana — onde cavaleiros precisavam transpor cercas, valos e sebes naturais. As primeiras competições formais de salto de obstáculos surgem nesse contexto rural.

1864

Primeira competição registrada

A Royal Dublin Society realiza em Dublin a primeira competição oficial de Salto Equestre com regras formalizadas. O evento é chamado de "leaping competition" e atrai cavaleiros de toda a Irlanda e Inglaterra.

1900

Estreia Olímpica em Paris

O Salto aparece pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Paris. A modalidade ainda era exclusiva para oficiais militares e tinha pouquíssimas regras formais. O belga Aimé Haegeman vence o primeiro ouro olímpico.

1921

Fundação da FEI

A Fédération Équestre Internationale é criada em Lausanne, Suíça, e assume a padronização das regras do Salto internacionalmente. A partir daí, percursos, alturas e sistema de penalidades passam a ter uniformidade global.

1951

Recorde mundial histórico

O chileno Alberto Larraguibel Morales, montando Huaso, estabelece o recorde mundial de altura ainda vigente: 2,47 metros. Uma marca que resistiu a mais de 70 anos de tentativas de superação.

2004

O maior título brasileiro

Rodrigo Pessoa, montando Baloubet du Rouet, vence o ouro olímpico em Atenas, depois de já ter conquistado o título de Campeão Mundial em 1998. É o maior resultado do hipismo brasileiro em todos os tempos.

Hoje

Circuito mundial e Longines Rankings

A FEI mantém um ranking mundial contínuo. As principais provas incluem o Rolex Grand Slam (Aachen, Calgary e Geneva), a World Cup e os Jogos Olímpicos. O Brasil possui o maior circuito de Salto da América do Sul.

Os Tipos de Obstáculos

Um percurso de Salto combina diferentes tipos de obstáculos para testar aspectos distintos: altura, amplitude, precisão e coragem. Conhecer cada tipo é essencial para entender a estratégia de um percurso.

Vertical

Vertical (Oxer Simples)

O obstáculo mais básico e mais traiçoeiro. Uma única fileira de barras em linha vertical, sem amplitude. Testa a precisão e o impulso do cavalo — pequenos erros de distância resultam em queda de barra.

Combinação

Combinação

Série de 2 ou 3 obstáculos em sequência com distâncias medidas entre eles (duplas e triplas). O cavalo deve acertar o número de passadas entre cada elemento. É o obstáculo mais técnico e que mais elimina cavaleiros.

Água

Obstáculo de Água

Uma vala de água rasa (sem barras altas) que exige que o cavalo salte com amplitude horizontal máxima. Qualquer pata tocando a água resulta em falta. Mede a amplitude natural do salto do cavalo.

Table

Table / Plano

Obstáculo largo e plano, geralmente coberto com um painel sólido. O cavalo deve saltar em arco baixo e amplo. É um obstáculo que favorece cavalos com bom sentido de largura e equilíbrio no ar.

Liverpool

Liverpool

Vertical ou oxer com uma vala de água embaixo das barras. A vala pode assustar cavalos mais inseguros, exigindo confiança e experiência. Combina o desafio do vertical ou oxer com um elemento surpresa visual.

As Raças Mais Preparadas

O Salto exige explosividade, flexibilidade, coragem e um ângulo de ombro adequado. Sangues quentes europeus dominam, mas algumas raças de sangue frio se destacam em menores alturas.

Sistema de Penalidades

Ao contrário do adestramento (que é subjetivo), o Salto é avaliado de forma objetiva e implacável: tudo é contado em pontos de falta.

4

Derrubada de obstáculo

Qualquer barra tocada e derrubada, por qualquer parte do corpo do cavalo ou do cavaleiro.

4

Pé na água

Qualquer pata do cavalo que toque dentro da vala de água ou a tira branca que a delimita.

4

Recusa (1ª e 2ª)

O cavalo para diante de um obstáculo ou desvia. A 3ª recusa no mesmo obstáculo resulta em eliminação.

0,4

Por segundo extra

Cada segundo acima do tempo permitido para percorrer o percurso gera 0,4 pontos de falta de tempo.

ELI

Eliminação

3ª recusa no percurso, queda do cavaleiro, percorrer o percurso em ordem errada ou exceder o tempo máximo.

0

Percurso limpo

Percurso sem nenhuma falta — a meta de todo cavaleiro. Em caso de empate, decide o menor tempo.

Como funciona o Desempate

Percurso limpo (0 faltas)

Vários percursos limpos resultam em barrage — um percurso de desempate com obstáculos mais altos e percurso menor

Mesmas faltas, tempos diferentes

Quando dois cavaleiros têm o mesmo número de faltas, o menor tempo é o desempate imediato — sem barrage

Barrage (Jump-off)

Percurso curto com obstáculos mais altos, geralmente 4 a 6 saltos. Aqui a velocidade é tão importante quanto a técnica

Alturas por Categoria

Iniciante
Até 0,90m
Básico
0,90 – 1,05m
Médio
1,05 – 1,20m
Avançado
1,30 – 1,45m
Grand Prix
1,55 – 1,65m

Sua Jornada no Salto

1

Iniciante

Cavaletes e obstáculos até 0,90m. Foco em posição, equilíbrio e confiança nos primeiros saltos.

2

Elementar

1,00 – 1,10m. Introdução às combinações simples e ao conceito de ritmo e distância no percurso.

3

Intermediário

1,20 – 1,35m. Percursos mais exigentes, combinações triplas e leitura de distâncias mais complexas.

Berço da Modalidade

Inglaterra e Irlanda são os países onde o salto de obstáculos nasceu como esporte formal, derivado das tradições de caça à raposa no século XIX.

Potências Mundiais

Alemanha, Holanda, EUA, Suíça e Bélgica dominam o circuito mundial. A Alemanha é historicamente a maior vencedora olímpica na modalidade.

O Brasil no Mundo

Rodrigo Pessoa (ouro olímpico 2004, campeão mundial 1998) é o maior nome do Salto brasileiro. O país tem o maior circuito da América do Sul, com centenas de cavaleiros federados.

Órgão Governante

FEI (Fédération Équestre Internationale) no âmbito global. No Brasil, a CBH (Confederação Brasileira de Hipismo) organiza o circuito nacional.

O Equipamento Correto

Para o Cavaleiro

  • Capacete certificado (obrigatório)
  • Colete de proteção (recomendado)
  • Calça de equitação com grip
  • Botas e esporas aprovadas pela FEI
  • Casaco de caça ou paletó (provas)

Para o Cavalo

  • Sela de salto com flap curto
  • Bridão de salto (variações permitidas)
  • Caneleiras ou botas de saltador
  • Protetor de coroa e boleto
  • Peitoral (opcional, mas recomendado)

A Arena e o Percurso

  • Arena mínima: 2.500 m²
  • Percurso: 8 a 14 obstáculos (GP)
  • Obstáculos: barras, painéis, piscinas
  • Piso: areia ou grama tratada
  • Cronômetro eletrônico obrigatório

Marcos Históricos do Salto

Recorde mundial de altura

2,47m

Estabelecido em 1951 por Alberto Larraguibel Morales (Chile) montando Huaso. A marca mais duradoura do esporte equestre.

Recorde de amplitude

8,40m

Recorde de salto em comprimento (amplitude) estabelecido por André Ferreira (África do Sul) em 1975.

Maior pontuação no Ranking FEI

#1 BR

Rodrigo Pessoa foi o único cavaleiro brasileiro a alcançar o 1º lugar no ranking mundial da FEI, cargo que ocupou em múltiplas ocasiões.

Dupla mais famosa do mundo

Big Star

Nick Skelton (GBR) e seu Warmblood Big Star conquistaram o ouro olímpico em 2016 no Rio de Janeiro, quando Skelton tinha 58 anos.

Você Sabia?

A regra dos 45 segundos

Após o sinal de saída, o cavaleiro tem exatamente 45 segundos para transpor o primeiro obstáculo — caso contrário, é eliminado automaticamente.

Walking the course

Antes de cada prova, os cavaleiros percorrem o percurso a pé para medir as distâncias entre obstáculos — um ritual indispensável de qualquer competição.

Cavalo de 18 anos no pódio

Em 2016, o cavalo Big Star tinha 15 anos quando conquistou o ouro olímpico com Nick Skelton. Cavalos de salto competem ativamente até os 18-20 anos.

O mesmo obstáculo, 3 alturas

Em uma barrage (desempate), os mesmos obstáculos do percurso são aumentados — geralmente de 5 a 10 cm. Pode parecer pouco, mas a diferença na exigência do salto é enorme.

Dúvidas sobre Salto

  • O Salto pode ser iniciado a partir dos 7-8 anos em cavaletes e obstáculos baixíssimos, sempre com supervisão de um instrutor qualificado. Para crianças menores, o trabalho é realizado no picadeiro com obstáculos de no máximo 40-50 cm. A CBH tem categorias Pré-Mirim (até 12 anos), Mirim (13-14) e Infantojuvenil (15-16) para que jovens cavaleiros cresçam no esporte com segurança. Adultos iniciantes também podem começar sem problema — o importante é ter aulas regulares e progressão gradual de altura.

  • Para saltos baixos (até 1,00m) e uso recreativo, muitos cavalos se adaptam bem, incluindo Quarto de Milha, Crioulos e mestiços. Para competições de nível médio a avançado (1,20m+), sangues quentes europeus como KWPN, Hanoveriano, Selle Français e Oldenburg são fortemente preferidos pela conformação do ombro, reflexos aéreos e potência muscular. O cavalo ideal para Grand Prix geralmente tem entre 60-75% de sangue Puro Sangue Inglês. A conformação ideal inclui: ombro inclinado, espádua livre, tendões fortes e boa extensão dos membros.

  • O "olho" é a capacidade do cavaleiro de calcular intuitivamente a distância ideal para o salto — saber exatamente quantas passadas faltam para o obstáculo e ajustar o ritmo do cavalo. É uma das habilidades mais difíceis do Salto e se desenvolve apenas com prática repetida. A maioria dos treinadores usa cavaletes de distância controlada, exercícios de ritmo e filmagem das aulas para acelerar esse aprendizado. Cavaleiros de alto nível descrevem o "olho" como uma sensação quase subconsciente que se forma depois de anos de repetição.

  • Os preços variam enormemente. Cavalos iniciantes e mistos aptos para os primeiros saltos podem ser encontrados entre R$ 15.000 e R$ 50.000. Cavalos competitivos para nível médio (1,10-1,25m) custam entre R$ 80.000 e R$ 250.000. Cavalos de nível avançado (1,35m+) geralmente partem de R$ 300.000 e chegam a R$ 1 milhão. Cavalos importados da Europa — especialmente KWPN e Hanoveriano com resultados internacionais — podem custar de €30.000 a €500.000 ou mais. O mercado de Salto é o mais dinâmico do hipismo brasileiro em volume de transações.

  • O Salto Olímpico (show jumping) é disputado em arena fechada com obstáculos coloridos e móveis — se o cavalo tocar, a barra cai. O campo do Hipismo Completo (CCE) é disputado ao ar livre com obstáculos fixos e imóveis, geralmente mais baixos mas muito mais variados: valas, bancos, piscinas naturais, descidas. No Salto de arena, a falta é medida em pontos; no cross-country do CCE, uma queda pode significar eliminação imediata. Os cavalos usados são diferentes também — o CCE exige mais stamina e adaptabilidade, enquanto o Salto de arena favorece cavalos mais explosivos e tecnicamente refinados.