Modalidade Olímpica

ADESTRAMENTO

dressage  ·  desde 1912

1912 Olimpíadas
Alemanha Origem moderna
FEI Órgão regulador
Alta Dificuldade técnica

A arte do movimento perfeito

O adestramento é considerado a forma mais refinada de equitação. O termo vem do francês dressage, que significa "treinamento". É uma modalidade que exige anos de dedicação tanto do cavaleiro quanto do cavalo para alcançar a harmonia perfeita entre os dois.

Durante uma apresentação de adestramento, o par deve executar uma série de movimentos precisos em uma arena, sendo avaliado por juízes que analisam a qualidade, precisão e expressividade dos movimentos. O objetivo final é demonstrar que o cavalo responde aos comandos quase invisíveis do cavaleiro, criando a impressão de que os movimentos surgem espontaneamente.

"O adestramento é a arte de tornar o que é natural no cavalo parecer sobrenatural ao espectador."
— Nuno Oliveira

Modalidade Olímpica

Presente nos Jogos desde Estocolmo 1912

3 provas olímpicas Individual, Equipes e Grand Prix
País mais dominante Alemanha — maior número de medalhas de ouro
Único esporte olímpico onde homens e mulheres competem em igualdade

Da Grécia Antiga ao Grand Prix

430 a.C.

Xenofonte

O general grego Xenofonte escreve "Sobre a Equitação", o primeiro manual de treinamento equestre do mundo ocidental, cujos princípios seguem válidos até hoje.

Séc. XVI

Renascimento equestre

Federico Grisone funda a primeira academia equestre em Nápoles. A Haute École (Alta Escola) torna-se símbolo de nobreza e poder nas cortes europeias.

1729

Escola Espanhola de Viena

Fundada na Áustria, torna-se a maior instituição viva de equitação clássica do mundo. Famosa pelos Lipizzanos brancos e suas apresentações de balé equestre.

1912

Estreia olímpica

O adestramento aparece pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Estocolmo, exclusivamente para oficiais militares montados. O sueco Carl Bonde vence o primeiro ouro olímpico.

1952

Abertura para civis

Nos Jogos de Helsinque, pela primeira vez, atletas civis e mulheres são autorizados a competir. Lis Hartel, do time dinamarquês, vence a prata apesar de ser paralisada das pernas pela poliomielite.

Hoje

Grand Prix mundial

O adestramento possui um circuito global com World Cup, Campeonato Mundial e Jogos Olímpicos. A Alemanha, Holanda e Grã-Bretanha dominam o cenário internacional.

Os Movimentos Icônicos

Básico

Piaffe

Trote no lugar com alto grau de impulsão. O cavalo trota no mesmo ponto sem avançar, demonstrando força e equilíbrio excepcionais.

Intermediário

Passage

Trote elevado e cadenciado onde o cavalo move cada diagonal com suspensão longa e controlada. Considerado a combinação perfeita de força e graça.

Alta Escola

Capriole

O cavalo salta no ar e chuta com as patas traseiras no ponto mais alto do salto. Originalmente um movimento de guerra, hoje o auge da equitação clássica.

Intermediário

Pirouette

O cavalo gira 360° sobre si mesmo mantendo um galope ritmado, com as patas traseiras quase no mesmo ponto. Requer força e precisão enormes.

Básico

Half-Pass

Movimento lateral onde o cavalo avança diagonal e lateralmente ao mesmo tempo, cruzando as pernas de forma cadenciada e expressiva.

As Raças Mais Preparadas

Certas raças possuem conformação, temperamento e movimento naturalmente adaptados ao adestramento de alto nível.

Como Funciona a Avaliação

Escala de Notas

10
Excelente
9
Muito bom
8
Bom
7
Razoavelmente bom
6
Satisfatório
5
Suficiente
0
Não executado

Critérios Avaliados

Ritmo

Regularidade e constância dos andamentos

Impulsão

Energia propulsora vinda das patas traseiras

Submissão

Aceitação dos aids e leveza na mão

Equilíbrio

Posição correta e peso nas patas traseiras

Expressividade

Qualidade estética e harmonia entre par

Progressão na Modalidade

1

Iniciante

Movimentos básicos como trote, passo e galope. Foco em ritmo e contato com a rédea.

2

Elementar

Introdução aos movimentos laterais. Começa o trabalho de impulsão e coleção básica.

3

Intermediário

Half-pass, pirouettes simples e extensões completas. Início das transições complexas.

País de Origem Moderna

Alemanha é o berço do adestramento moderno competitivo. A região da Bavária e a escola de Munique moldaram as regras internacionais que vigem até hoje.

Raízes Históricas

Grécia Antiga (Xenofonte), depois Itália renascentista, Portugal e Espanha (equitação ibérica clássica) e França (Versailles).

Centros Mundiais Hoje

Alemanha, Países Baixos, Suécia, Grã-Bretanha e Portugal são as potências mundiais. O Brasil tem crescido significativamente na América do Sul.

Órgão Governante

FEI (Fédération Équestre Internationale), fundada em 1921 em Lausanne, Suíça. No Brasil, a CBH (Confederação Brasileira de Hipismo) regula a modalidade.

O Equipamento Correto

Para o Cavaleiro

  • Casaco de fraque preto (Grand Prix)
  • Calça branca ou bege com grip
  • Botas pretas altas e esporas
  • Luvas brancas e cartola (GP)

Para o Cavalo

  • Sela de adestramento com flap longo
  • Bridão ou freio duplo (GP)
  • Bandagens ou caneleiras (treino)
  • Tropa imaculada e crina trançada

A Arena

  • Arena padrão: 60m × 20m (GP)
  • Arena básica: 40m × 20m
  • Letras de referência nas laterais
  • Piso de areia tratada ou sintético

Você Sabia?

7 anos

É o tempo médio necessário para treinar um cavalo do zero até o nível Grand Prix.

Kür — Freestyle

Prova realizada com música escolhida pelo cavaleiro — o Grand Prix Musical é o mais assistido das Olimpíadas.

Lis Hartel

Competiu nos Jogos de 1952 com paralisia parcial causada pela poliomielite e ganhou a prata.

Valegro

O Warmblood Holandês montado por Charlotte Dujardin bateu o recorde mundial de pontuação com 94,3% em 2014.

Dúvidas sobre Adestramento

  • Sim — todos os cavalos podem e se beneficiam do treinamento básico de adestramento. Os princípios de equilíbrio, impulsão e ritmo melhoram a saúde e o relacionamento de qualquer cavalo com seu cavaleiro. Para competições de alto nível (Intermediário I, II e Grand Prix), porém, raças de sangue quente como o Hanoveriano, KWPN, Lusitano e Oldenburg são preferidas por seus andamentos naturalmente expressivos e conformação favorável.

  • O adestramento é uma jornada de vida. Para um cavaleiro iniciante ter base sólida nos movimentos elementares, conta-se de 2 a 3 anos de aulas regulares. Para chegar ao nível intermediário competitivo, de 5 a 7 anos. Um binômio do zero ao Grand Prix leva em média 7 a 10 anos de trabalho consistente — é por isso que cavaleiros olímpicos de adestramento frequentemente competem em idades mais avançadas do que em outros esportes equestres.

  • O piaffe é um trote no lugar altamente coletado — o cavalo executa o movimento de trote sem avançar, com levantamento expressivo dos membros e máxima coleção. É considerado um dos movimentos mais difíceis do adestramento porque exige que o cavalo carregue a maior parte do peso nas patas traseiras enquanto mantém ritmo perfeito e expressividade. Cavalos levam anos desenvolvendo a força muscular necessária. Uma execução perfeita de piaffe é considerada a "flor do adestramento".

  • O Brasil tem crescido significativamente no adestramento nas últimas décadas. A CBH (Confederação Brasileira de Hipismo) promove campeonatos nacionais com níveis do Iniciante ao Grand Prix. Cavaleiros brasileiros já representaram o país em Jogos Pan-Americanos e chegam cada vez mais às fases finais dos Jogos Sul-Americanos. Os estados mais fortes são São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, onde haras com cavalos de sangue quente importados da Europa impulsionam o nível competitivo.

  • O adestramento competitivo moderno é a versão esportiva, regida pela FEI, com regras, notas e competições. A equitação clássica (ou académica) é a tradição filosófica mais antiga — desenvolvida na Escola Espanhola de Viena, pela Escola Portuguesa de Arte Equestre e por mestres como Nuno Oliveira e François Robichon de la Guérinière. A equitação clássica vai além das notas: é uma arte que busca a harmonia máxima e o desenvolvimento do cavalo acima de tudo, sem pressão competitiva. Ambas compartilham os mesmos fundamentos, mas têm objetivos e abordagens distintos.